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Feminismo no dia a dia 01/12/2010

Filed under: Uncategorized — gertrudenotstein @ 16:04
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Uma das coisas mais difíceis é saber lidar com as coisas cotidianas a partir de uma perspectiva feminista. Isso porque é aquela história: se você for encrencar com cada coisa, você vai ter dias muito estressantes e improdutivos. A partir do momento em que me vi assumindo idéias feministas, me deparei com desafios: como lidar com aqueles comentários de pessoas sem importância pra você? Ou pior, como lidar com os comentários que partem de namorados, de familiares? Ou de colegas de trabalho? Como fazer quando você vê em propagandas, filmes, piadas, tudo isso, indícios machistas?

Uma das coisas mais comuns é ficarmos marcadas como chatas, sem humor. Muitas vezes já me perguntaram: “você não consegue deixar isso pra lá por um momento?”, ou “o que você espera que eu faça?”, entre outros. E, de fato, bater muitas vezes na mesma tecla é um saco pra qualquer um, não importa o conteúdo, mas… é difícil ficar quieta, não?

E em uma discussão com namorado/a? Digamos, a respeito de verem pornografia e você discordar disso por questões ideológicas (obviamente não falo de uma discussão motivada por ciúmes). Ou dos parceiros homens e héteros, em geral, sempre desqualificarem a mulher em uma discussão: ela tá fazendo drama, ela tá de tpm, ela tá chorando à toa, ela não quer deixar o pobre em paz… pra qualquer mulher isso é um saco, mas pra uma mulher feminista… E como levantar sempre essa questão sem criar uma barreira nos outros? De não criar aquele clima “Lá vem ela de novo…”? Enfim, como equilibrar essa militância particular, digamos, sem interferir em demasiado no bem estar das relações? Claro que nenhuma feminista mesmo vai suportar namorar um machista completo, mas acho que todo mundo já viu que também faz parte isso de tentar fazer os outros enxergarem outras coisas, outros lados. Afinal, ess aé uma parte importantíssima da nossa luta, não é? Então não é uma luta somente pública.

Levanto essas questões meio óbvias, e sem me aprofundar muito nelas, que é pra saber o que acham disso, como lidam com isso, quais são as principais dificuldades e quais as principais vantagens, enfim! Gostaria que dividissem aqui ou postassem em seus próprios blogs as histórias, aposto que é uma dúvida recorrente em quem tá se “iniciando” no feminismo.

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4 Responses to “Feminismo no dia a dia”

  1. Natália Says:

    Oi! Adorei seu blog e posts. Sinto que você é das minhas: é militante, mas tem o pé no chão, tem sensatez. Apesar que no meu caso não foi sempre assim…fui adquirindo essa visão com o passar do tempos, percebia que minha dialética estava meio q contaminada pela minha paixão pela causa o que fazia parecer para quem ouvia algo inatingível ou loucura em certos casos. tive problemas inclusive com outras colegas porque a proteção do ego (quem é a feminista true) acabava vindo antes do assunto feminismo em si.

    Olha o lido na questão privada com relação ao machismo é delicado mesmo como a outra colega mencionou. Eu advogo e infelizmente é uma área bem machista. Sinto machismo vindo especialmente das mulheres e isso me dói mais ainda. No trabalho, eu tento abordar ou lidar de acordo com várias situações: se a pessoa está aberta à questionamentos eu me aprofundo, faço-a refletir sobre o que está dizendo/ pensando, digo que esse ‘pensamento’ tem significado histórico e social e aí discorro sobre.

    Se o comentário é muito cretino, e eu acho oportuno respondo com um sarcasmo lascivo, tipo ‘é mesmo mulher não devia nem ter saído da cozinha… só que não’. Aí algm pode pensar: mas isso ofende, magoa…mimimi Olha se a pessoa continua eu ignoro.
    Com parentes tb tem q estudar a pessoa, seu grau de interesse, sua personalidade…pra só então praticar alguma abordagem.
    O namorado já é bem engajado na questão feminista, e bom praticante tb (ao ponto de achar ridículo compartilhar foto de mulher nua/seminua no facebook), agora só tento desmistificar a questão do fato de ele não se achar feminista pq não faz algo de mais concreto…além daquelas situações comportamentais, tipo por vezes ele me repreende pq eu falo muito palavrão e etc.
    (subvertendo um pouco o assunto)
    Uma vez um colega dele foi lá em casa e tb é engajado na questão feminista e argumentou q acha o palavrão machista por natureza e q por isso todos nós devíamos evitá-lo…. Aí meu namorado mais q depressa concordou e frisou q já tinha falado cmg sobre os muitos palavrões q eu falo. Eu, ouvi os dois e pontuei q desde de que nós meninas começamos a nos conhecermos por gente, há ums forte repreensão em nossos comportamentos: menina não senta de perna aberta, menina tá sempre arrumadinha, menina não fala palavrão, menina tá sempre bem penteada, menina isso, menina aquilo……….zzzzzzz E quando mulher: mulher tem q se dar ao valor, mulher tem q se depilar, mulher tem q saber cozinhar……zzzzzzz E que cada vez que repetimos esses ‘padrões’ e nos policiamos pra isso AÍ SIM estamos reforçando o machismo. Depois desse argumento o colega dele brincou como gostamos de repetir clichês da galera reaça dizendo em tom jocoso: ‘mas cada um tem sua opinião’… Aí rímos e o assunto acabou. Pelo menos pra mim.

    • maiacat Says:

      oi, natália!
      meu blog tá abandonadão, mas obrigada 😀 adorei ler seu comentário
      isso é algo q sempre me deixou em dúvida, de como agir no dia a dia e tal, mas acho q no final tô como vc tbm mesmo. tipo, a gente tem q escolher mesmo quando (e quem) vale a pena entrar nessas. no começo eu me estressava muito mais com essas coisas, ficava mal de verdade por mto tempo, mas definitivamente essa nm é a abordagem, como vc comentou!

      acho q uma coisa q sempre funciona é tentar uma maneira mais sutil, tipo, em vez de ficar falando sobre o feminismo, convidar o namorado pra assistir a um filme ou a um documentário q suscite os mesmos questionamentos (mas é o filme q tá dizendo, não eu! depois posso só concordar hauha). tá, nm é sutil, mas é menos conflituosa, eu diria

      obrigada de novo pelo comentário!
      bjos

  2. Clara Morais Says:

    É, esse é um assunto delicado demais. Eu já morri de dor nas vísceras numa época em que me recusava a ignorar qualquer atitude machista… Mas era muito difícil, e eu sempre acabava repreendida até mesmo por outras mulheres.
    Atualmente, meu namorado dá o melhor de si para vencer sua educação machista, mas isso exige paciência, companheirismo e, principalmente, amor de ambas as partes. Tudo aos poucos, ele teve que aceitar a ideia de que eu também pago a conta inteira de vez em quando, e que a gente pode se revezar nisso; que, se um dia chegarmos a viver juntos, o trabalho domestico será dividido rigorosamente ao meio, porque não há amor que me transforme em escrava do lar; e que, caso venham filhos, ele será tão responsável pela educação e cuidados domesticos quanto eu. Até agora ele está concordando e evoluindo bem, demonstrando bom caráter e inteligência. Espero que continue assim quando a gente atingir o estágio prático em todos os aspectos, rsrsrsr;

    Acho que se o cara diz que te ama, mas insiste na conduta machista, você deve fazer uma avaliação muito profunda sobre até que ponto isso pode representar comodismo, alienação ou mesmo falta de caráter.

    Quanto aos meus parentes, só discuto questões que me revoltam profundamente com meus pais, que são pessoas mais esclarecidas, graças a deus, e estão conseguindo fazer de meu irmão um jovenzinho de retórica feminista muito boa e gostosa de se ouvir. Agora, é óbvio que não dá pra levar em consideração os ditames das tias da roça, não é mesmo? Nós temos que ter coerência e avaliar quando vale a pena discutir. Há casos em que, por puro sadismo, admito, eu me recuso a expor meu ponto de vista de maneira didática para mulheres nazimachistas, dizendo calmamente o que penso e levantando da mesa, deixando as moças falando o que quiserem sobre mim.

    • maiacat Says:

      eita, eu acho q não tinha visto esse comentário antes 😦 e já faz mais de um ano, q vergonha!
      acho q o principal é que tenha uma abertura pra entender o ponto de vista do outro. e, como vc falou, precisa de compreensão e companheirismo, sem isso não tem como discutir nada de sério.. e legal isso do seu irmão, eu não tô tendo a mesma sorte com o meu huahuahu a gente vive discutindo, eu e ele. acho q não ajuda mto o fato d elee ser mais velho q eu tbm, eu sou a “caçula” e tdo o mais.. mas escolhendo bem os momentos pra discutir até q acaba não sendo tão ruim..
      obrigada pelo comentário!
      bjos!


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