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empatia e relacionamentos 03/03/2011

Filed under: Uncategorized — gertrudenotstein @ 14:24

Em pesquisas, comentários, textos, livros, filmes, vemos aquele cenário típico. As mulheres se sensibilizam com o próximo, consigo mesmas, expressam mais esse sentimento, são condicionadas a pensar nos outros, a se estressar mais com problemas de relacionamento, a achar que precisa mais do amor ou do carinho dos outros.

Enquanto isso os homens são menos sensíveis, expressam menos suas emoções, se preocupam menos com relacionamentos, preferem evitar qualquer situação que lhes deixe vulneráveis, são mais contidos, relaxados, sentem menos culpa etc etc.

 

Se acham que eu vim pronta pra desconstruir esses conceitos, minha idéia não é bem por aí, já aviso. De fato, eu não consigo enxergar outra tendência que não essa que descrevi. Obviamente, no entanto, não acho que ela tenha uma origem biológica ou que seja “natural”. Penso mais em termos de identidade de gênero, e de educação. Acho que há um certo consenso sobre como é difícil “desaprender”, e como é fácil sermos condicionados, desde pequeno, a tal ponto em que não enxergamos mais o que é nosso e o que aprendemos com o tempo.

Um exemplo fácil é o modo como nos sentamos, comemos. Com certeza não é gratuito, não é por acaso. Se entrar numa sala de aula, verá que meninos e meninas costumam se sentar e se portar de acordo com certos padrões. A menina que se senta de pernas completamente abertas, relaxada ao máximo, será vista como desviante, talvez “machorra”.

E há o menos visível que o modo de se sentar. Que é o nosso modo de lidarmos com os outros, com nossos próprios sentimentos, sobre as prioridades que acreditamos que temos que dar. Nada disso é novidade. Mas cada vez me deixa sem saber o que fazer quando vejo como tão diferentemente meninos e meninas são criados, e como isso se reflete em suas relações heterossexuais futuras.

Já ouvi de muitas amigas, e de mim mesma, reclamações de como às vezes simplesmente parece impossível ter um diálogo realmente produtivo com o namorado ou marido. Como se cada um usasse uma linguagem completamente diversa um do outro. E não falo somente de palavras, mas de expectativas, medos, emoções básicas. Há coisas que são incompreensíveis, ou melhor, invisíveis. É como se fossem duas sub-culturas, e namorar fosse um exercício antropológico!

Não pensem que concordo com essa imagem!

 

Um homem ensinado, socialmente e dentro de casa, a se preocupar menos com os outros, a subestimar o que é mais sentimental e irracional e, principalmente, a subestimar as mulheres, vai ter como se sensibilizar com as preocupações da parceira? Ou estará sempre achando que faz concessões porque a ama? Ou vendo como birras infantis, que devem ser relevadas pacientemente? Ou simplesmente considerará loucura e não se preocupará mais do que acha que deve se preocupar?

Não se trata aqui de dizer que a educação de um é melhor e mais correta que a do outro, e que a mulher somente é vítima disso. Ambos são vítimas, e acredito que não haja um modelo melhor que o outro. Acho que nenhum deles abrange o ser humano em todas suas possibilidades. Para chegarmos ao equilíbrio, teríamos que eliminar esses supostos pólos opostos. Mas, enquanto isso, como lidar com esse condicionamento tão arraigado, tão difícil de mudarmos? Como realmente conseguir chegar ao outro, ao ponto em que consigamos, realmente, falar a mesma língua?

Ou não concordam com essa minha impressão? Gostaria muito de saber o que têm a dizer.

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