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Mulheres no jornalismo esportivo 10/10/2011

Filed under: Uncategorized — gertrudenotstein @ 16:36

fiz esse texto para a faculdade.. tá bem ruinzinho, mas vamos lá….!

Na Semana do Jornalismo de 2011 na Faculdade Cásper Líbero, na mesa sobre Jornalismo Esportivo, o jornalista Paulo Vinícius de Mello Coelho, ao ser perguntado por uma aluna a respeito da participação feminina no jornalismo esportivo, declarou: “é compreensível que se tenha preconceito contra mulheres comentaristas de futebol porque se você vai num bar à noite, quem tá discutindo futebol são rodas de homens, não de mulheres”. O raciocínio por trás de tal afirmação parece ignorar a real dimensão desse preconceito, reduzindo-o a uma mera questão de “gostos” e de estatísticas de boteco, literalmente.

Mulheres são discriminadas de forma generalizada na sociedade. Trata-se de toda uma construção de valores e idéias que determinam o que é ser mulher e o que é ser homem no mundo em que vivemos, de forma hierarquizada, em todos os níveis: na expressão corporal, nas roupas que vestimos, nos produtos que consumimos, na linguagem, enfim. Os valores associados ao mundo masculinos quase sempre estão em uma posição superior na hierarquia. Não obstante, um homem ser chamado de “mulher” ou “mulherzinha” é um insulto. Já uma mulher que se atreve a entrar em um mundo entendido como masculino precisa desde já se provar, esforçar-se para ganhar respeito e lidar com uma série de dificuldades. Quase todos os espaços ocupados pelas mulheres em público, seja simplesmente nas ruas ou em postos de trabalhos, na televisão e na política, só o foram por meio de reivindicações por mais igualdade de direitos entre os gêneros. E ainda hoje, mulheres não são facilmente aceitas em todas as situações. Em princípio, o único lugar onde as mulheres de fato são aceitas e encorajadas a explorar é o ambiente privado.

Um exemplo rápido. Se uma mulher chefe de empresa tiver filhos, por exemplo, questionarão se ela é uma boa mãe por trabalhar “tanto”, se não tiver filhos, questionarão sua “feminilidade”. Se der uma bronca em um funcionário, pode ser desqualificada sendo considerada como “estando de TPM”, se não der bronca nenhuma, dirão que é “mulherzinha demais”. Ou ainda, se for bonita demais, questionarão sua inteligência. Há também uma discriminação que dificulta o acesso feminino a cargos de importância. Em ambientes acadêmicos e políticos, por exemplo, muitas vezes movidos por tráfico de influência, o acesso das mulheres é sempre mais difícil em relação ao dos homens. E, ainda hoje, elas ganham menos, mesmo com formação e cargo equivalentes aos de uma pessoa do sexo masculino. O fator comum disso tudo é simples: preconceito de gênero. Assim, trata-se de um problema muito mais profundo, o da situação das mulheres no jornalismo esportivo.

No Brasil, um dos principais estereótipos relacionados ao que é ser “homem” é o gosto por futebol – entendido como “esporte de macho” -, ao contrário, aliás, dos Estados Unidos, onde futebol é visto como esporte de mulher. Aqui, o esporte é o lugar da construção da identidade masculina, reunindo em si diversos símbolos culturais do que é ser um homem. E enquanto os meninos são educados para gostar de futebol e torcer por um time desde pequenos, as meninas aprendem que esse não é assunto de sua seara. Muitas das que se dispõem a discutirem futebol com seus colegas são freqüentemente ridicularizadas ou têm sua autoridade sobre o assunto questionada. O ambiente futebolístico, no Brasil, não é acolhedor às mulheres (e nem aos homossexuais, aliás) por princípio. E, ainda assim, há diversas mulheres criando blogs, por exemplo, onde comentam sobre futebol, sem contar os inúmeros fóruns online em que mulheres comentam sobre o assunto. Da mesma forma que há muitos homens que não gostam de futebol, há muitas mulheres que partilham da paixão pelo esporte.

O que não existe é representação diversificada na mídia, que se contenta em reproduzir os estereótipos comuns de gênero. Muitas vezes vemos em notícias sobre futebol uma nota sobre as “musas” de um determinado campeonato, por exemplo. Não só os meios de comunicação assumem que os consumidores dessas notícias são apenas homens heterossexuais, como colocam as mulheres nessas páginas como um enfeite, sem qualquer papel mais ativo no esporte além de serem “musas”. Não por acaso, em diversas ocasiões times femininos de futebol ganham visibilidade e patrocínio somente quando fazem um calendário ou um desfile usando biquínis.

Assim, não é só pela quantidade de mulheres que falam de futebol em bares que o preconceito é “compreensível”. Compreende-se – mas não se aceita, espera-se – o preconceito em relação às mulheres porque ele é estrutural, porque há uma série de fatores que convergem para tanto. Gostos, preferências e estereótipos são construídos, sempre, e não dados naturais, assim como preconceitos. É preciso ir mais a fundo, portanto, na hora de se apresentar as razões pelas quais as comentaristas de futebol têm dificuldades em serem respeitadas: e um dos principais perpetuadores desse tipo de preconceito é a própria mídia. Faltou ao jornalista do início do texto, nesse caso, assumir essa responsabilidade.

 

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2 Responses to “Mulheres no jornalismo esportivo”

  1. Vinicius Says:

    Isso, e o mesmo vale para outros segmentos, como a música. Dentro do Rock existe pouco espaço para mulheres e, pior, quando elas conseguem entrar nesse espaço, elas só reafirmam aquilo que tentamos modificar. As que subvertem, ficam no underground.

    Ou seja, só reafirmam haver uma mulher delicada, feminina e etc, mas que também sabe tocar guitarra. É como a suposta mulher moderna que, além de trabalhar, ainda tem que cuidar dos filhos e limpar a casa. Nada mudou pra ela.

    • maiacat Says:

      pois é, Vinicius, as pessoas querem dar a entender que “tudo mudou”, mas tudo o que você vê é esse mito da “multijornada” da mulher, mostrando ela como uma super poderosa, quando na verdade ela não consegue se desprender dos papéis tradicionais. em toda capa de revista feminina a gente vê isso “como siclana consegue ser super bem sucedida no que faz e ainda ter tempo pra se cuidar, pra cuidar da família e da casa e ser sexy para o marido”.. pff

      e obrigada pelo comentário!


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