CONTRACULTURA

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eu é que tenho medo 03/11/2010

Filed under: Uncategorized — gertrudenotstein @ 11:44
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Praticamente eu ao ver essas notícias na TV (mentira, nem vi nada na TV)

o que acontece? se aqui no Brasil ficamos chocad@s com o nível das últimas eleições (bom, eu fiquei), com o conservadorismo da sociedade, com os “argumentos” abjetos, preconceituosos e machistas, com a onda de tweets xingando o nordeste e sua população, com os panfletos e e-mails terroristas por aí distribuídos… e isso que acontece nos EUA também nesse exato momento? estavam havendo discussões muito similares por lá, sem contar o embate da igreja, daqueles famosos cristãos de direita lá de cima (que me parecem ser os mesmos que adoram colecionar armas, mas vamos lá), das declarações ultra-machistas da política “feminista” (lendo esse link vão entender minhas aspas – prum padre/pastor/já esqueci achar q é um feminismo “saudável”.. bem!), a sarah palin, e no meio disso tudo, o maior crescimento da bancada republicana em 62 anos na câmara deles! vamos combinar que parece coisa arranjada, um grupo daqui e o de lá planejaram tudo pra sair ao mesmo tempo.

não sei se é algum contexto ainda muito próximo para euzinha conseguir discernir: será que tem alguma coisa maior por trás dessa tal onda conservadora no Brasil e nos EUA? A única coisa que vejo em comum é que ambos elegeram recenetemente presidentes “fora do padrão”: lá um negro, filho de um africano, aqui um operário, do partido de esquerda. Será que tudo isso é reação a esses governos, como o do Chávez, Lula/Dilma, Obama? Será que é só viagem minha na babata? Nem sei porque de repente comecei a usar maiúsculas também, porque as ignorei no resto do texto. Só o que sei é que essa onda conservadora me dá medo.

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Quando descobri que minha família é reacionária 17/10/2010

Filed under: Uncategorized — gertrudenotstein @ 13:06
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A vida toda pensei de um jeito e não me dei conta. Não me dei conta de que as idéias que me passavam sempre pela cabeça não condiziam com o que eu ouvia que era o certo. Quero dizer, percebia certos preconceitos, certas incongruências. Mas não me parecia que fazíamos parte “daquele grupo”. Aquele grupo conservador, extremamente medroso, da sociedade. Até que juntei as peças: minha mãe quis tirar o dinheiro da conta na época da eleição de Lula, meu pai tem discursos raivosos contra o PT, eu mesma não suportava a idéia de votar em alguém que não fosse do PSDB. Ao mesmo tempo, eu defendia idéias consideradas socialistas, sem perceber que isso não casava com os pressupostos desse setor da classe-média! Como não vi tudo isso, não sei, talvez porque eu sempre fui acostumada a ouvir todos falarem desse jeito, parecia a única verdade possível.

Mas divago… a questão é que é um tabu enorme, por exemplo, defender o PT. Entre meus amigos, não há um que tolerasse a idéia. Todos, também, ficam na mesma ladainha: “vou votar no Serra pra Dilma não ganhar”. E eu já fiz parte dessa ladainha, em 2002. Porque o interesse aqui é unicamente se opor. Duvido que alguém tenha interesse pelo “programa” de governo do PSDB, ou mesmo saiba que isso existe. Quando falam de aborto, ficam na mesma onda da mídia (que está me irritando PROFUNDAMENTE) e ficam só apontando o fato de que Dilma, a terrorista, já foi a favor, agora diz que não é mais blablabla. Ai de mim se eu ousar discordar!

Agora entendo também meu enfado diante das “discussões políticas” nesse grupo todo, porque NÃO há espaço, não há diálogo. Se você vai contra essa onda, as pessoas te olham de um jeito que é como se de repente você estivesse de volta à Guerra Fria e fosse um comunista nos Estados Unidos. É como se de repente você se transformasse no que há de pior nesse mundo, porque imagine, você acha que negros, pobres, mulheres e gays merecem mais do que hoje em dia é “concedido”. Meu Deus! Quantas vezes não ouço essa ladainha de que “bandido bom é bandido morto”? Fiquei revoltada quando saiu a notícia de um motorista que atropelou dois caras que tinham roubado o laptop de uma mulher e o pessoal só comentou a mesma coisa: finalmente um herói na sociedade brasileira! finalmente há justiça! ele deveria ganhar uma medalha!. E tudo isso acrescentado dessa singela lamentação: pena que os bandidos não morreram. Uma mulher até disse: se fosse eu,  daria ré neles depois de atropelar, até ter certeza que tinham morrido!

Eis aí, meus caros, o discurso normal, raivoso, violento e conservador dessa parcela da sociedade. Aliás, eu ainda queo escrever mais sobre isso, mas a sociedade TODA é violenta e conservadora. E não quero cair em maniqueísmos aqui. Sinceramente, acredito mesmo numa palavrinha chamada contexto, ou melhor, num conceito, o chamado contexto histórico. Para mim, há uma razão, há fatores que levam, por exemplo, uma grande parcela da população ainda votar no Maluf, da mesma forma que leva a votarem no Lula ou em qualque routro político. A classe-média não é “má”. A classe-média é fruto de uma série de fatores que, realmente, não cabe a mim investigar agora, porque eu não sou historiadora nem estudei o assunto (ainda, pelo menos). E todo esse discurso dela foi construído ao longo do tempo, com diversos mecanismos, e ela é vítima e algoz, sujeito e o objeto dessa história.

Acredito, mesmo, que nada pode mudar se ninguém perceber a origem, se não houver reflexão, questionamento. De que adianta odiar com todas as forças os tais “reaças” se isso só faz alimentar o processo que já vem caminhando há séculos? Não é por aí. Não é na oposição, nas críticas raivosas, no ódio ou na mera decisão de “vamos ignorá-los” que as coisas vão tomar outro rumo. De verdade, eu era da classe reacionária, mesmo tendo sempre pendido a defender aborto, casamento entre gays, justiça aos mais pobres etc, sem saber! Isso porquen pensava essas coisas, mas tinha um medo desgraçado desse tal do PT, e de qualquer coisa que parecesse “fora do lugar”. Esse tipo de idéia contamina sua mente de tal forma, que você não consegue pensar “fora da caixa”. É preciso compreender isso, compreender que o maior problema não é a suposta natureza má, conservadora e egoísta das pessoas. É sim a alienação, a desinformação e o perverso sistema violento e repressor que hoje parece funcionar sozinho em nossa sociedade.

 

 
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