CONTRACULTURA

confira a seção links com indicações sobre vários temas!

utilidade pública do machismo 16/12/2010

Filed under: Uncategorized — gertrudenotstein @ 14:39
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“Mulheres são iguais aos homens, só que mais baratas”

o machismo é anterior às diferenças de classe e sustenta a economia de exploração. o trabalho não pago ou desvalorizado de mais de metade da população garante o funcionamento de um sistema discriminatório, exploratório e injusto.

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Feminismo no dia a dia 01/12/2010

Filed under: Uncategorized — gertrudenotstein @ 16:04
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Uma das coisas mais difíceis é saber lidar com as coisas cotidianas a partir de uma perspectiva feminista. Isso porque é aquela história: se você for encrencar com cada coisa, você vai ter dias muito estressantes e improdutivos. A partir do momento em que me vi assumindo idéias feministas, me deparei com desafios: como lidar com aqueles comentários de pessoas sem importância pra você? Ou pior, como lidar com os comentários que partem de namorados, de familiares? Ou de colegas de trabalho? Como fazer quando você vê em propagandas, filmes, piadas, tudo isso, indícios machistas?

Uma das coisas mais comuns é ficarmos marcadas como chatas, sem humor. Muitas vezes já me perguntaram: “você não consegue deixar isso pra lá por um momento?”, ou “o que você espera que eu faça?”, entre outros. E, de fato, bater muitas vezes na mesma tecla é um saco pra qualquer um, não importa o conteúdo, mas… é difícil ficar quieta, não?

E em uma discussão com namorado/a? Digamos, a respeito de verem pornografia e você discordar disso por questões ideológicas (obviamente não falo de uma discussão motivada por ciúmes). Ou dos parceiros homens e héteros, em geral, sempre desqualificarem a mulher em uma discussão: ela tá fazendo drama, ela tá de tpm, ela tá chorando à toa, ela não quer deixar o pobre em paz… pra qualquer mulher isso é um saco, mas pra uma mulher feminista… E como levantar sempre essa questão sem criar uma barreira nos outros? De não criar aquele clima “Lá vem ela de novo…”? Enfim, como equilibrar essa militância particular, digamos, sem interferir em demasiado no bem estar das relações? Claro que nenhuma feminista mesmo vai suportar namorar um machista completo, mas acho que todo mundo já viu que também faz parte isso de tentar fazer os outros enxergarem outras coisas, outros lados. Afinal, ess aé uma parte importantíssima da nossa luta, não é? Então não é uma luta somente pública.

Levanto essas questões meio óbvias, e sem me aprofundar muito nelas, que é pra saber o que acham disso, como lidam com isso, quais são as principais dificuldades e quais as principais vantagens, enfim! Gostaria que dividissem aqui ou postassem em seus próprios blogs as histórias, aposto que é uma dúvida recorrente em quem tá se “iniciando” no feminismo.

 

violência é questão de gênero 25/11/2010

Filed under: Uncategorized — gertrudenotstein @ 10:10
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  • Hoje é o dia pelo fim da violência contra a mulher. Mas acho que não está tão claro assim, mesmo nessas iniciativas, que não se trata meramente de proteger as mulheres da violência. Não é qualquer violência, não é questão também, de dizer que mulheres são frágeis e por isso precisam de proteção “exclusiva” (afinal, não há dia pelo fim da violência contra os homens). É pelo fim da violência, principalmente, motivada por questões de gênero. O projeto é muito maior  e mais profundo do que pode parecer: é pelo fim de uma cultura que incentiva esse tipo de violência. Que educa meninas para serem submissas, meninos para se expressarem através de atos violentos. A submissão é a perfeita afirmação de feminilidade. A violência, perfeita expressão de masculinidade. É isso que temos que mudar.
  • É preciso, também, ter cuidado para não cairmos em falácias, como dizer que as mulheres que não prestam queixa, ou que não se divorciam, “merecem” a violência que sofrem. O buraco é muito mais embaixo. Sem contar o tratamento nas delegacias, que buscam desqualificar a versão da mulher, e também a agressão sofrida como algo menor, a questão de que muitas mulheres foram ensinadas a se conformar com esse tipo de coisa, o medo que uma ameaça provoca (principalmente quando há crianças envolvidas), o fato de que a sociedade, ao saber desse tipo de coisa, costuma culpar a vítima.
  • Outra coisa que me incomoda, também, nesse tipo de campanha, são as frases do tipo “homem que é homem não bate em mulher”. Porque de novo recaímos nessas concepções rígidas e limitantes do que é “ser homem”, do que é “ser mulher”. Além disso, um homem se afirmar homem porque não bate em mulher, especificamente, e não em qualquer ser humano, denota uma relação de inferioridade, também. Afinal, em homem pode bater sem problemas por quê? Porque ele sim agüenta? E afinal, porque temos que nos expressar tanto através da violência? Penso que esse é um problema maior da nossa cultura brasileira.
  • E, por último, parar de associar violência a mulher como um problema doméstico, e ainda, de classes mais baixas. É uma questão de todas as classes, e é um problema público. É um problema da sociedade. E também parar de relacionar só a casais. Uma violência contra a filha, baseada no fato de que ela é mulher, não conta, também? Ou ainda, a violência que mata não é só a física. São as pequenas violências, sofridas diariamente pelas mulheres, desde que nascem, que naturalizam esse tipo de coisa. Mas é sempre bom lembrar que as relações sociais são construídas, montadas e desmontadas, num jogo de vozes, sujeitos. Assumir que algo é “natural” é meramente se conformar a um modelo que pode, sim, ser mudado.
 

 
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